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Intoxicações em Pequenos Animais

novembro 25, 2009

Os casos de intoxicação em pequenos animais têm grande freqüência, principalmente em clínicas que se localizam nos grandes centros urbanos. Isso se deve, provavelmente, ao fato de que um grande número de pessoas vive atualmente em apartamentos e possuem animais. Esses animais são expostos e correm risco de intoxicação por produtos de limpeza, inseticidas e alimentos.

Uma simples reforma ou pintura num apartamento ou até mesmo uma faxina com produtos mais fortes, pode causar sérios danos ao animal. Principalmente gatos, que são mais sensíveis.Com um histórico bem feito, uma boa anamnese, um atendimento rápido e com o conhecimento dos principais produtos tóxicos e seus respectivos antídotos, é possível salvar o animal. A falta de informações precisas e o tempo são os principais fatores que dificultam o trabalho levando à fatalidade dos casos.

Intoxicação e Envenenamento por Agentes Químicos

Etanol

–    Mecanismo de ação: Efeito sobre lipídeos e proteínas; reduz condutância de sódio e potássio;

–     Dose: 5-8 mL/Kg.

Teor alcoólico de   bebidas comuns

 

Cerveja 3,5%
Vinho 9-12%
Uísque 50-90

–         Sinais: 15 a 20 minutos ou 60 minutos; ataxia;redução dos reflexos;poliúria;depressão;morte.

–         Causas: acidentais; intencionais; produtos fermentados.

–         Diagnóstico: monitorar hipoglicemia.

 

Rodenticidas

–        Definição: Coagulopatia causada pela redução dos fatores de coagulação.

–        Mecanismo: Inibição da vitamina K1, requerida para a carboxilação dos fatores II, VI, IX e X da coagulação.

–        Sinais clínicos: hematomas, hemorragias, letargia e depressão.

–        Laboratório: anemia.

Outros

–        Removedores de tintas: irritação na pele, lesões hepatorrenais, pneumonia e desorientação;

–        Polidores de automóveis: vômitos, pneumonia, lesões hepatorrenais;

–        Solução para revelação de filmes fotográficos: PU/PD, convulsões, IRC;

–        Desodorantes: lesão renal;

–        Fogos de artifício: vômito, diarréia e metahemoglobina;

–        Extintor de incêndio: irritação ocular, cutânea e lesão hepatorrenal;

–        Fósforo: formação de metahemoglobina;

–        Perfumes: lesões hepatorrenais, ataxia, inquietação;

–        Lysol e Pinho-sol: lesões renais e metahemoglobina;

–        Bronzeador: lesões hepatorrenais, vômitos, dor abdominal, coma.

Intoxicação com Aspirina

Sinais Clínicos: depressão, vômito, taquipnéia, febre, fraqueza muscular, ataxia e morte em 24 horas.

Causas:

–  Proprietários;

– Deficiência na capacidade de glicuronização;

–   Meia vida de 44 horas em gatos.

Sinais:

–  Não específicos.

Achados laboratoriais:

– Corpúsculos de Heinz;

– Hiponatremia e Hipocalemia.

 

 

Animal com edema facial em decorrência da intoxicação com aspirina

 

Intoxicação com Estrógeno

Revisão:

–        Cães são mais sensíveis;

–        Causa pancitopenia, feminilização dos machos e piometra em fêmeas.

Sinais Clínicos:

–        Intolerância a exercícios;

–        Petéquias;

–        Hematúria;

–        Melena;

–        Alopecia.

Causas:

–        Estrógeno endógeno;

–        Estrógeno exógeno.

Achados Laboratoriais:

–         Trombocitopenia em 2 semanas;

–         Leucocitose até 3º semana;

–         Anemia normocítica normocrômica;

–         Pancitopenia em 4 semanas.

Outros testes:

–         Exame de aspirado de medula;

–         Recuperação hematológica pode levar 3 meses;

–         Sangue 3 dias após recuperação da medula.

Hepatotoxinas

Revisão: substâncias endógenas e exógenas que produzem alteração no fígado.

Incidência/Prevalência:

–        Gatos são mais susceptíveis;

–        Gatos Siameses;

–        Cães: Dobermans, Pinschers e Samoiedas;

–        Cães jovens.

Sinais Clínicos:

–        Anorexia, vômito, diarréia, icterícia, encefalopatia hepática e ascite (grave).

Causas:

Medicamentos:

–        Caprofen (cães);

–        Diazepan (gatos);

–        Paracetamol (cães);

–        Dietilcarbazina (cães);

–        Glicocorticóides (cães);

–        Griseofulvina (gatos);

–        Halotano (cães);

–        Mebendazol (cães);

–        Primidona (cães);

–        Fenobarbital (cães);

–        Tetraciclina e Sulfametazol-trimetoprim.

–        Substâncias Químicas:

–        Cogumelo Amanita;

–        Aflatoxinas;

–        Micotoxinas;

–        Compostos Clorados;

–        Metais pesados;

–        Fenóis.

–        Endotoxinas:

–        Microorganismos intestinais;

–        Envenenamento alimentar.

–        Achados Laboratoriais:

–        Ht; normal ou elevado;

–        Poiquilocitose;

–        Aumento de ALT e AST;

–        Hiperbilirrubinemia;

–        Albumina, uréia e glicose: variável;

–        Perda da função hepática: variável.

Medicamentos que Não Devem Ser Dados aos Gatos !!!

Acetominofen (Tylenol);

Benzocaina (Andolba);

Hidrocarbonetos clorados (como Lindane, Clordane);

Hexaclorofeno (agente germicida, encontrado em xampus, desinfetantes e sabonetes, como o Phisiohex);

Carbaril (Carbamato = usado em remédios contra pulgas como Talco Bulldog);

Azul de Metileno;

Aspirina (AAS, Melhoral);

Sulfonamidas (Sulfas);

Sulfoetoxipiridazina (Bactrin);

Cloranfenicol;

Lidocaína;

Anti-inflamatórios não esteróides;

Tetraciclina;

Morfina;

Fenobarbital, Pentobarbital Sódico e Tiopental Sódico;

Diazepan, Valium e Dienpax (tranquilizantes Benzodiazepínicos);

Clorpromazina (Amplictil);

Intoxicação por Alimentos

Intoxicação por chocolate

–         Definição: Toxicose gastrointestinal, neurológica e cardíaca causada pelo consumo de alcalóides metilxantínicos.

–         Mecanismo: Inibem os receptores de adenosina e da fosfodiesterase.

–         Incidência/Prevalência: 20 mais comuns envenenamentos pelo National Animal Poison Control Center.

–         Sinais clínicos: vômito, diarréia, convulsões, poliúria e morte.

–         Dose letal: 100-200 mg/Kg.

–         Laboratório: Hipoglicemia e densidade urinária baixa com proteinúria.

 

 

 

 

Intoxicação por cebola

–        Mecanismo: O princípio tóxico (n-propil dissulfito) presente na cebola causa a transformação da hemoglobina em metemoglobina.

–        Achados laboratoriais: anemia hemolítica, corpúsculos de Heinz e metemoglobinemia.

–        Mielograma: uma eritrogênese acentuada foi observada nos gatos que consumiram a planta, comprovada pela inversão na relação mielóide:eritróide e pela grande quantidade de precursores eritróides em atividade mitótica na medula óssea.

Corpúsculo de Heinz em hemácia de cão

 

 

PLANTAS TÓXICAS ( as mais comuns)

PLANTAS DE VASO:

–        Dieffenbachia picta (comigo ninguém pode: promove liberação de histamina pelos mastócitos.

–   Monstera sp (costela de adão, dragão fedorento, 7 facadas).

PLANTAS DE JARDIM:

–        Abrus precatorius (olho de cabra): causa diarréia sanguinolenta, anemia severa.

–        Lilium (Lírio): resulta em síndrome nefrótica grave- apenas 2      folhas podem ser letais. Achados laboratoriais: leucograma de estresse, aumento de creatinina (15-29 mg/dL), aumento de ALT e AST, proteinúria grave e glicosúria.

Medicamentos, produtos de limpeza e venenos devem ser mantidos fora do alcance das crianças assim como dos animais!!!

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