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Lúpus eritematoso sistêmico em cães

novembro 11, 2009

cachorro

Lúpus eritematoso (LE) é doença auto-imune heterogênea, multissistêmica, caracterizada pela produção de auto-anticorpos contra vários constituintes celulares na qual freqüentemente observa-se acometimento de múltiplos órgãos e diversas formas de apresentação clínica (CAMARGO et al, 2005;LIMA et al, 2007; PRADO et al, 2007 FURTADO et al, 2001). De etiologia não totalmente esclarecida, o desenvolvimento da doença está ligado a predisposição genética e fatores ambientais, como luz ultravioleta e alguns medicamentos (LIMA et al 2007; BORBA et al 2008).

A fisiopatologia do LES caracteriza-se por formação de imunocomplexos constituídos por autoanticorpos e auto ou heteroantígenos que se depositam na parede de vasos de pequenos e médios calibres, em território da microcirculação. Estes, após a ativação do sistema de complemento, ativam os mediadores da inflamação, produzindo ao final um processo de vasculite leucocitoclástica, com freqüente necrose da parede vascular e dos tecidos por ela nutridos, gerando alterações estruturais e funcionais em vários órgãos ou sistemas, como o ósteo-articular e o renal (Furtado et al 2001).

O Lupus Eritematoso (LE) pode ser classificado em Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) que é um distúrbio multissistêmico e Lupus Eritematoso Discóide (LED) que é uma forma benigna do LES limitada à pele. O LES é uma doença imunológica rara, que ocorre tanto nos cães como nos gatos (Geronymo, 2005)

O LES é uma doença está associada a diversas manifestações clínicas e laboratoriais, com uma evolução e prognóstico variáveis, embora na maioria dos casos a evolução da doença se caracterize por períodos de exacerbação e de quiescência relativa. Os achados histológicos do LED caracterizam-se por dermatite de interface e degeneração das células epidérmicas basais. As manifestações clínicas para o Lupus Eritematoso Sistêmico são claudicação, poliartrite, polimiosite, seções cutâneas, mal-estar, anorexia, fraqueza, piroxia, glomerulonefrite, úlceras orais e desordens neurológicas (Câmara, 2001).

O diagnóstico definitivo do LES ocorre pelo teste de anticorpo antinuclear (ANN) positivo ou teste celular para lúpus eritematoso ou ambos. Deve-se fazer diagnóstico diferencial de doenças neoplasicas. Quando o diagnóstico for positivo o hemograma demonstrará valores correspondentes a um processo inflamatório crônico e anemia regenerativa ou não-regenerativa. O prognóstico para LES depende do envolvimento orgânico e da gravidade das anormalidades hematológicas. O tratamento se faz necessário por toda vida, sendo que existem casos onde a evolução das lesões torna-se fatal (MondengO, 2007).

Nos casos de LES e LED deve-se evitar a exposição à luz solar intensa utilizando filtros solares tópicos e glicocorticóides tópicos e/ou sistêmicos (prednisolona). Estes últimos devem ser usados em altas doses até as lesões regredirem completamente e então, são lentamente reduzidas à menor dose que mantenha a doença em remissão. Em casos mais graves e refratários, outras drogas citotóxicas podem ser usadas como o clorambucil. Pode-se administrar ácidos graxos, vitamina E ou combinação com niacinamida e tetraciclina (GERONYMO, 2005).

Referências

 

Alceu Luiz Camargo Villela Berbert1 Sônia Antunes de Oliveira Mantese2. Lúpus eritematoso cutâneo- aspectos clínicos e laboratoriais. An Bras Dermatol. 2005;80(2):119-31

ALESSANDRA DE MOURA PALHA MONDEGO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO EM CÃES REVISÃO DE LITERATURA Trabalho monografico de conclusão de Especialisação em Medicina Veterinária , apresentado a USB como requisito parcial para obtenção de título de ecialização em Clínica Médica

ALINE DEFAVERI DO PRADO, CARINE ELISABETE ROST, MAURO W. KEISERMAN, HENRIQUE L. STAUB. Perfil clínico-laboratorial de pacientes do Ambulatório de Lupus Eritematoso Sistêmico do Hospital São Lucas da PUCRS Clinical and Laboratory Profile of Systemic Lupus Erythematosus outpatients from São Lucas Hospital. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 17, n. 3, p. 168-170, jul./set. 2007

Álvaro Porto Alegre Furtado, Carlos Horácio Genro, Márcio Fleck da Silveira,

Marcelo de Abreu, Cristina Comiran, Roger Klein Moreira, Daniela Koppe,

Marlon Cesar Marconato, Juliana Zignani6 Radiol Bras 2001;34(1):59.61

DEHASSE, J.& Buyser, C. Comportamento e educação do cão. São Paulo, Livraria Varela, 1995
Eduardo Ferreira Borba(1), Luiz Carlos Latorre(2), João Carlos Tavares Brenol(3), Cristiane Kayser(4),Nilzio Antonio da Silva(5), Adriana Fontes Zimmermann(6), Paulo Madureira de Pádua(7),Lilian Tereza Lavras Costallat(8), Eloísa Bonfá(9), Emília Inoue Sato(10)Rev Bras Reumatol, v. 48, n.4, p. 196-207, jul/ago, 2008

Isabella Lima(1), Lúcio Barbosa(2), Mabel Lopes(2), Eliana Reis(2), Mitermayer Reis(2), Karina Colossi(3), Maurício Abreu(3), Clarissa Ferreira(3), Mittermayer Santiago(4) Pesquisa de Anticorpos Antinucleossoma em Lúpus Eritematoso SistêmicoDetection of Antinucleosome Antibodies in Systemic Lupus Erythematosus.Rev Bras Reumatol, v. 47, n.3, p. 160-164, mai/jun, 2007

Margarida Câmara, Isabel Pinho TavaresMarina Santos, Ludovina Paredes, RuiAbreu, Graça Ferrand, Merlinde Madureira. pus Eritematoso Sistémico– Revisão Casuística do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia. Medicina Interna 102 Vol. 8, N. 2, 2001

Viviane Vinkauskas Geronymo, Adriana Tofanin, Rogéria Maria Alves de Almeida, Andréa Rodrigues Barros Bol. Med. Vet.Ocorrência de Lúpus eritematoso em cães atendidos no hospital veterinário do centro regional universitário de Espírito Santo do Pinhal  no período de 1999 a 2003– UNIPINHAL – Espírito Santo do Pinhal – Bol. Med. Vet. – UNIPINHAL – Espírito Santo do Pinhal – SP, v. 01, n. 01, jan./dez. 2005

 

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